terça-feira

Pedaços de Mim...

         
  Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos.

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão.

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci.

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por um instante.
Já Tive
noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não prometidas.

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar.

Eu sinto
pelas Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei.

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

"MARTHA MEDEIROS"

segunda-feira

Abraço


                                                                   ABRAÇO
                                                      
                                                      
Carinho e muito amor
É saudade e lágrima
Mas também o calor
Abraço é amar
É querer aconchego
É sentir um amigo
Com todo o seu apego
Podemos abraçar
Uma causa uma pessoa
Abraço é abraço
É cingir e cercar
É não sentir espaço
Abraçar uma causa
É o que nos faz sentir
Que quem luta acredita
E nunca deve desistir
Abraçar uma criança
Transmitir-lhe carinho
É dizer-lhe com os braços
Que nunca estará sozinho
Abraçar um amigo
Com toda a fraternidade
E como dizer estou aqui!
Para a toda a eternidade
Abraçar um amor
Com toda a compreensão
É desatar todos os nós
E fazer um laço de união
Vamos assim abraçar
Uma criança, uma causa
Um amigo e o nosso amor?
Custa tão pouco abraçar... Acreditem não dá dor!

quinta-feira

Lê-Me

                                                                               
       LÊ-ME…

 Repara neste poema
 inundado de orvalho
 e de marés fugidias
... por entre mares esfumados.
 Repara nos frutos maduros
 pendurados no meu verdejante olhar,
 nos sussurros desenfreados
 do perfume misterioso
 ávido de trilhos,
 na embriagada seiva
 que procura poesia no teu corpo
 e na encruzilhada louca dos sentidos.

 Repara… há um cheiro a verde-mar
 no espraiar do meu areal,
 há um anel planetário,
 uma via-láctea,
 um cacho de algas para lá do infinito,
 uma gaivota,
 a vela dum navio
 e um casal de golfinhos.

 Há uma estrela-do-mar,
 uma pedra boleada pelas ondas,
 o entardecer por entre brisas
 e dois corpos mareantes.

 Repara nos meus olhos rasos de vento
 e nas pedras murmuradoras,
 elas chamam-te …
 querem-te parte destes versos.


                                                                       

Tuas Mãos



Quando tuas mãos saem,
 amada, para as minhas,
 o que me trazem voando?
 Por que se detiveram
 em minha boca, súbitas,
 e por que as reconheço
 como se outrora então
 as tivesse tocado,
 como se antes de ser
 houvessem percorrido
 minha fronte e a cintura?

 Sua maciez chegava
 voando por sobre o tempo,
 sobre o mar, sobre o fumo,
 e sobre a primavera ,
 e quando colocaste
 tuas mãos em meu peito,
 reconheci essas asas
 de paloma dourada,
 reconheci essa argila
 e a cor suave do trigo.

 A minha vida toda
 eu andei procurando-as.
 Subi muitas escadas,
 cruzei os recifes,
 os trens me transportaram,
 as águas me trouxeram,
 e na pele das uvas
 achei que te tocava.
 De repente a madeira
 me trouxe o teu contacto,
 a amêndoa me anunciava
 suavidades secretas,
 até que as tuas mãos
 envolveram meu peito
 e ali como duas asas
 repousaram da viagem.
 " Pablo Neruda"